Bob Fosse, o coreógrafo que Reensinou Hollywood a dançar

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Ainda hoje, sua dança fascina e congela olhares na tela. Sejam em Cabaret, O Pequeno Príncipe ou em apresentações de shows. Bob Fosse ressuscitou um gênero que parecia estar esquecido, e mostrou que a dança nunca sairia de moda. Conheça mais sobre esse gênio da dança:

Robert Louis Fosse nasceu em 23 de junho de 1927 em Chicago. Filho de um vendedor ambulante e de uma mãe que se desdobrava para cuidar de seus seis filhos. Uma infância, portanto simples. A vida artística começou quando ele entrou na Academia de Artes Teatrais de Chicago onde conheceu um jovem dançarino chamado Charles Grass. Os dois tinham a mesma idade e embora fossem muito diferentes, amavam a dança. Ao passo que foram evoluindo, resolveram formar uma dupla e se apresentar profissionalmente. Nessa foto abaixo você pode vê-los ainda bem jovens, por volta de 12 anos:

Começaram batendo de porta em porta em busca de uma oportunidade que veio quando eles participavam em programas de variedades. A dupla se apresentou em vários locais e passaram por bons e maus pedaços. Muitas vezes mentiam a idade para se passarem por mais velhos e poderem se apresentar em casas noturnas. Já desde cedo, Fosse desenvolvia um estilo que unia passos de seu grande ídolo Fred Astaire àqueles comumente usados na vaudeville. Como um bom observador, ele estava sempre atento ao que via.

Charles Grass e Bob Fosse

Mais tarde, o dançarino chegou à conclusão que para fazer sucesso era necessário sair de sua terra e partir para Nova York, onde tudo acontecia.  Já então, formava dupla com Mary Ann Niles, uma bela dançarina nascida em 1933 e que iria se tornar sua primeira esposa em 1947.

Era década de 50 a dupla Dean Martin e Jerry Lewis ganhavam rios de dinheiro com suas apresentações nos teatros, lotando sessões e partindo para um sucesso fenomenal no cinema e na tv, onde apresentavam o Colgate Comedy Hour. Foi nesse programa que Bob e Mary tiveram a primeira chance de apresentar seus trabalhos. Confira esse vídeo com uma apresentação da dupla:

Fosse sempre comentou que era extremamente grato à dupla pela oportunidade dada. A relação com Mary Ann terminaria também neste mesmo ano.

Com a visibilidade constante, Fosse conseguiu um contrato básico com a MGM. Suas primeiras participações foram tímidas, em filmes como O Bonitão da Escola (1953), protagonizado por Debbie Reynolds e Dá-me um Beijo (1953), com Kathryn Grayson. Claro que Janet Leigh e Jack Lemmon eram os nomes principais, mas ele já começava a chamar a atenção em Jejum de Amor (1955). Abaixo, ele dança com Janet:

Paralela à carreira no cinema, ele continuava na ativa principalmente nos palcos. Neste período ele tinha como companheira Joan McCracken, que conhecera pouco antes de se casarem em 1952 e deu a maior força em sua carreira. Os dois se separaram em 1959, dois anos antes de Joan falecer precocemente de um ataque cardíaco aos 43 anos.

Em 1954, o nome de Fosse já era ligado ao talento e reconhecido quando coreografou The Pajama Game. A produção que estreou na Broadway em 13 de maio de 1954, rendeu ao coreógrafo o Tony Award de melhor coreografia. Em 1957 Doris Day foi contratada para estrelar a versão para as telas, também coreografada por Fosse.

O musical Damn Yankees, produzido em 1955, trouxe para sua vida Gwen Verdon, sua terceira esposa. Os dois davam início a uma parceria de sucesso na vida particular e artística. Abaixo ele dança ao lado de Gwen, com quem teria sua única filha, Nicole Fosse:

 

Outros sucessos na Broadway incluem “Funny Girl” e “Promises, Promises”. A década de 60 trazia também maiores possibilidades, e Fosse passou a dirigir, primeiro nos palcos, depois no cinema.

Sua carreira como diretor de cinema foi muito curta mas vitoriosa, diga-se de passagem. Ele dirigiu ao todo cinco filmes (excetuando-se aqui o curta Dancin’ Curtain Call: Bob Fosse e o show Liza with a Z, que particularmente adoro). Seu filme de estreia foi Charity, Meu Amor (1969), que trazia a Shirley Maclaine no papel principal do remake de Noites de Cabíria. Uma versão musical, colorizada e bem humorada do drama felliniano.

Preparando Shirley para Charity, Meu Amor

Em 1972 veio o ponto alto de sua carreira, o musical Cabaret. O musical estreou na Broadway em 1966 e trazia Jill Haworth no papel principal. Na produção inglesa, Judi Dench assumiria a personagem de Sally Bowles. Curiosamente, Liza Minnelli havia sido reprovada nos testes de elenco, mas acabou sendo escolhida para a versão cinematográfica, dirigida por Fosse.

Talvez ela não tivesse previsto aquilo, mas o filme revolucionaria tanto sua vida quanto a maneira como os musicais eram vistos. Fosse trouxe para as coreografias um traço de contemporaneidade, ao passo que resgatava a classe das coreografias de Fred Astaire. Foi um espetáculo que não deixou a Academia inerte. Cabaret levou para casa oito Oscares, incluindo os de Melhor Atriz (Liza Minnelli), Ator Coadjuvante (Joel Grey) e Diretor (Bob Fosse). Um marco, se pensarmos que neste mesmo ano competiu com O Poderoso Chefão, que levou o de melhor filme.

Bob Fosse dirigindo Liza Minnelli em Cabaret

A amizade com Liza renderia a direção do especial para a tv “Liza with a Z”. A estafante agenda fez com que o coreógrafo se entregasse à vários vícios. Em 1979, ele lançaria uma produção inspirada nele mesmo: All That Jazz (1979), um psicodélico filme que mostrava a decadência de um coreógrafo em seus últimos dias de vida. Ele já estava há tempos separado de Gwen Verdon, e já namorava Jessica Lange, que trouxe para uma participação na película que acabou sendo indicada a nove Oscares, mas venceu apenas nos prêmios técnicos de melhor música, figurino, direção de arte e edição.

Apesar de seu alter ego em All That Jazz aparecer moribundo, Fosse viveria mais alguns anos. Ele jamais se separou legalmente de Gwen, embora tivesse outros amores ao longo dos anos. O diretor, ator e coreógrafo sofreu um ataque cardíaco enquanto atravessava a rua para ver o relançamento de Charity, Meu Amor, falecendo pouco depois, em 23 de setembro de 1987. Tinha apenas 60 anos.

Em suas coreografias ele sempre usava um chapéu e também luvas. O chapéu era utilizado para ocultar a calvície que o acompanhou desde muito jovem. E as luvas seriam para esconder as mãos que achava feias. Mas quem queria saber disso quando ele aparecia em cena para nos encantar, como nesta cena de O Pequeno Príncipe?

Fontes: IMDB, seechicagodance, newberry, Cinema Clássico

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