As Canções inesquecíveis de Cole Porter

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O luxo e o glamour faziam parte da vida de Cole Porter. Seu estilo de vida também influenciava suas músicas, sempre repletas de um toque de elegância e sofisticação. O estilo Porter enriqueceu muitos musicais com suas melodias geniais. Foram mais de 800 canções, sendo que pelo menos 100 se tornaram imortais em filmes.

 

Porter nasceu em 9 de junho de 1891 em Indiana, EUA. De família rica, começou a estudar música ainda criança. Sua mãe desejava que ele fosse um novo Mozart, e chegava a força-lo a tocar os mais diversos instrumentos. Tentando fazê-lo passar por um gênio, Kate também chegou a falsificar a certidão de nascimento, alterando-a para 1893. Antes dos dez anos o garoto já tocava violino, piano e também escrevera sua primeira opereta.  Porém, seu avô queria que ele se tornasse um advogado, e o matriculou na Universidade de Yale.

Bem, ele tentou continuar os estudos em Direito, mas acabou pedindo transferência para a Faculdade de Artes e Ciências, onde cursou Música. Lá fez suas primeiras composições para o time de futebol americano “Bulldog Bulldog”. 1915 seria um ano marcante em sua vida: ele escreveria sua primeira canção para a Broadway: “Esmeralda”.

O sucesso não foi instantâneo, ele teria alguns fracassos e passaria um bom tempo sendo sustentado pela família, que mesmo assim acreditava em seu potencial. Durante esse período, ele partiu para Paris e vendeu algumas letras.

Casamento e Vida Íntima

Linda e Cole

Em 1919 ele se casaria com Linda Lee Thomas. Ela era oito anos mais velha que ele e sofrera muito em seu relacionamento anterior. Porter, por sua vez, era homossexual, e embora não pudesse assumir isso publicamente, era reconhecido por todos do meio. Juntos viveram entre Paris, Nova York e Hollywood, mantendo uma vida glamourosa por mais de 30 anos. Isso não impediu que o compositor mantivesse seus casos extra-conjugais. Os encontros ocorriam geralmente em casas de encontro, e muitas vezes de maneira indiscreta, o que irritava profundamente Linda. Com isso, chegaram a se separar, mas logo retornaram. O provável é que fossem muito amigos e mantivessem uma parceria e amizade.

Foi através de Linda que ele conheceria grandes nomes da época. Em festas organizadas por ela, Porter conheceria o pintor Picasso, o bailarino Nijunsky e o escritor F. Scott Fitzgerald. Dentre os amores mais conhecidos do compositor estão o poeta Boris Kochno, Howard Sturges e o arquiteto Ed Tauch (para quem ele dedicou “Easy to love”). Porter, que não teve filhos, deixaria parte de seus direitos autorais para os filhos de Ray Kelly, que também teria sido seu amante.

 

Sucesso na Broadway e Hollywood

Em 1928 estreava “Paris” na Broadway. O musical elevaria seu nome, tornando-o conhecido e chamado para outros trabalhos durante toda a década. Para Hollywood foi um passo.  cinema começou a falar em 1927 (com a exibição de O Cantor de Jazz e a explosão dos grandes musicais), e em 1934 as composições de Cole reinavam absolutas. E se você assistiu a filmes clássicos muito provavelmente ouviu pelo menos cinco ou seis dessas músicas, embora não saibam da autoria. Ter Porter como compositor já era uma boa garantia para boa trilha sonora e retornos infalíveis, e aliar isto a bons intérpretes era o sonho de qualquer produtor. E todos queriam interpretá-las, desde Frank Sinatra, Judy Garland, Bob Hope, Bing Crosby… Se podemos dizer algo sobre ele, é que era uma unanimidade.

Ele se tornava um dos maiores nomes dos musicais, ao lado de Irving Berlin. Em 1937, porém, ele sofreria um acidente que mudaria os rumos de sua vida. Quebrou suas pernas ao cair de um cavalo. Como consequência, teria dores pelo resto da vida, e apesar de fazer inúmeras cirurgias, jamais conseguiria sair da cadeira de rodas. Em 1954 ele sofreria a perda de Linda, que morreu de câncer. Finalmente em 1958 sua perna seria amputada após dezenas de cirurgias infrutíferas. Deprimido, Porter abandonou a vida pública e se tornou recluso, entrando-se às bebidas e parando de tocar. O compositor morreu em 15 de outubro de 1964, de falência renal. Tinha 73 anos.

Filmes sobre sua vida

Em 1946 seria lançado um filme com a história ficcional de sua vida. “A Canção Inesquecível” trazia Cary Grant como Porter, e Alexis Smith como sua esposa Linda. É um filme altamente ficcional. Já escrevi um pouco sobre ele aqui:

De-Lovely (2004), dirigido por  Irwin Winkler, é um grande musical em homenagem ao compositor. Traz Kevin Kline no papel principal e fala mais abertamente sobre sua vida e relacionamentos.

Melhores Canções

 

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