Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, 1960)

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Calvin (Jack Lemmon) é um homem solitário que trabalha em uma grande firma. Ele é apenas um dentre tantos, e cuja vida parece não ter a menor graça. Pressionado por seu chefe, acaba cedendo seu apartamento para um encontro. Depois disso, a fama de que seu cafofo é o local ideal para encontros acaba se espalhando. Em pouco tempo, Calvin acaba perdendo totalmente seu direito ao seu lar. A compensação recebida acaba sendo menor do que a satisfação de ter um lugar que pode ser só seu.

Um dia, Calvin recebe dois convites para um musical e decide convidar Fran (Shirley MacLaine), uma ascensorista que lhe chama a atenção. Ele vê na ocasião uma boa oportunidade de iniciar um relacionamento. Os dois se dão bem, Fran é uma excelente companhia. Mas pouco tempo depois, Calvin descobre que ela é uma das garotas que frequentam seu apartamento com um dos seus chefes.

Lançado após Some Like It Hot, o filme se tornou um enorme sucesso comercial e crítico. Não é difícil entender porque. Há filmes que sobrevivem aos efeitos dos anos, e um dos motivos para que isso aconteça reside no quão bom contador de histórias seja o seu roteirista. Billy Wilder fez alguns deles, não por acaso. O diretor que antes de tudo era um dos maiores roteiristas que você já conheceu, era daqueles que controlava todas as etapas da produção. Costumava dizer que tinha tanto trabalho ao fazer um roteiro que não permitia que uma vírgula fosse mudada.

Tal fato veio desde a época em que era jornalista e se irritava quando mudavam seus textos sem lhe consultar. Aprendeu a envia-los somente em cima da hora para não permitir revisões. A coisa de fato deu certo, e em 50 anos de carreira Billy recebeu 21 indicações ao Oscar, conseguindo 06 estatuetas (duas como diretor). Uma delas por Se Meu apartamento falasse, lançado em 1960.

Mas se Wilder tinha um grande controle sobre sua produção, isso não significava que ele trabalhava sozinho. O diretor sempre preferiu ter parceiros duradouros com quem dividia os roteiros. Um deles era I. A. L. Diamond. Os dois resolveram desenvolver a história de The Apartment a partir de Brief Encounter, de Noël Coward. Nele, uma mulher casada usa um apartamento de um conhecido para se encontrar com seu amante em outra cidade.

Falei acima sobre a questão de Wilder não permitir mudanças em seu roteiro. Bem, não muitas. Ele abriu pequeníssimas exceções. Uma delas para Jack Lemmon, que contribuiu com improvisações em duas cenas. Há mesmo certas táticas utilizadas pelo diretor durante o filme. Uma delas foi manter o suspense liberando o script pouco tempo antes de suas filmagens. Isso talvez tenha enlouquecido seus atores, mas ele achava que contribuía com a interpretação eles não saberem o que seria feito de seus personagens.

Um dos elementos que contribuíram para que o filme se tornasse tão perfeito foi a direção de arte. O maior destaque é para as tão faladas sequências da perspectiva do escritório. O diretor de arte Alexandre Trauner deveria mostrar a impessoalidade de um local repleto de pessoas. E o conseguiu colocando mesas e pessoas menores no final da sala. Tal afinco rendeu 10 indicações ao Oscar, ganhando de Melhor Filme, Diretor e Roteiro original. E um lucro de 1 milhão de dólares.

Recentemente Shirley compareceu a um evento sobre o filme e falou um pouco sobre Wilder. Segundo a atriz, Billy sempre era muito atento às histórias que ouvia, e enriquecia os personagens com elementos pessoais de seus atores. “Gostei muito dele como pessoa. Ele era muito engraçado e muito sensível quando se tratava do que ele achava melhor para a tela.”. A atriz também se derreteu de elogios a seu amigo Jack Lemmon: “Ele era tão querido, que homem maravilhoso. Ele era muito bom, absolutamente maravilhoso”.

Sempre faço indicações de filmes para os leitores do Cinema Clássico, e Billy Wilder sempre está entre os diretores mais indicados. Se Meu Apartamento Falasse não é um filme difícil de ser encontrado, pois foi lançado em dvd.

Assista o trailer do filme original:

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