Gerard Philipe, um dos mais aclamados atores de sua geração

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Sucesso nos teatros e no cinema, Gerard Philippe se tornou um dos mais aclamados atores franceses de sua geração. Hoje seu nome é lembrado em diversos teatros franceses, que homenageiam o ator que foi embora cedo demais.

Gerard Philipe nasceu em 4 de dezembro de 1922 em Cannes.Seu pai Marcel era um empresário bem sucedido e pertencia à Liga Fascista da Croix-de-Feu, colaborando com os nazistas. Para escapar de uma sentença de morte, Marcel foi obrigado a fugir para a Espanha. Gerard era uma criança bonita e frágil, e era apelidado de “gatinho”, devido aos seus cachos muito louros. Sonhava ser médico, era sonhador e mantinha longos períodos de silêncio, segundo sua mãe. Gostava muito de ler e quando estourou a guerra, sua família deixou Cannes.

Durante esse período, Gerard parecia indiferente às questões políticas e no período de guerra, manteve contato com muitos artistas refugiados. Esse contato com as artes e os artistas fez com que ele fosse influenciado por questões socialistas. Após terminar os estudos em Direito, iniciou uma amizade com Suzanne Devoyod, atriz de teatro, e que acabou encorajando o jovem a tentar uma carreira artística. Marc Allégret, que tinha a reputação de caçador de talentos, concordou em ouvir o jovem, pedindo que ele interpretasse uma cena se Stephen, de Jacques Deval. Gerard logo começou a estudar artes dramáticas em Nice.

Sua estréia nos palcos veio em 1942 com a peça Une grande fille toute simple. No ano seguinte, Mudando-se para Paris no ano seguinte, foi convidado a trabalhar no Théâtre National Populaire em Paris, depois que os responsáveis o viram em cena em Calígula. Outros papéis de sucesso foram O Cid” de Corneille, “O Principe de Hamburgo” de Kleist, “Lorenzaccio” de Musset e “Ruy Blas” de Victor Hugo. Por ser supersticioso, adicionou “e” ao final de seu nome, de modo que ficassem 13 letras: Gerard Philipe. Dentre suas participações no teatro destacam-se Sodoma e Gomorra de Jean Giraudoux, Calígula de Albert Camus e The Cid de Pierre Corneille.

Com Danièle Delorme e Bernard Blier em Les Petites du quai aux fleurs

Foi durante a produção de Federico que Gerard recebeu sua primeira proposta para o cinema. Ele não se empolgou muito, pois no período estava muito envolvido com o teatro. Mas no ano seguinte, abriria espaço para essa arte.

A estréia nas telas foi em “Les Petites du Quai aux Fleurs” (1943), de Yves Allégret , seguido de Les de Marc Allégret petites fleurs du quai aux. Com o apoio de Jean Cocteau, ele entrou para o Conservatório de Paris, soba tutela de Georges Le Roy, se apaixonando de vez pelo teatro. Em Paris ele ganhou a aclamação da crítica por seu papel na produção de Calígula, sendo comparado a Louis Barrault.

Gerard retornou ao cinema em 1946, em L’Idiot e o polêmico Le Diable au corps (1947), de Claude Autant-Lara. Com apenas 24 anos ele se tornou um dos atores mais queridos da pós-guerra e o primeiro de uma nova geração de ídolos de matinês. Admirado por seu talento e beleza, logo se tornou um ídolo para as mulheres. Dentre seus sucessos, Fanfan la Tulipe, Le Rouge et le noir e Les Orgueilleux.

Le Diable au corps (1947)
Um dos momentos mais significativos de sua vida foi sua união com Nicole Fourcade, companheira do partido socialista. Segundo seu amigo Claude Roy, finalmente Gerard encontrara alguém com quem podia viver e dividir seus pequenos problemas diários. Ela era seu grande amor, amiga, cúmplice e namorada. O casal passou a morar junto por volta de 1951 e foi a partir desse momento que o caráter revolucionário dele começou a desabrochar. Sua mãe, no entanto, não gostou da relação do casal desde o início. Posteriormente, Nicole, que adotou o pseudônimo Anne Phillipe escreveu dois livros sobre a vida do casal, intitulados Lembranças (1960) e Le Temps d’un soupir (1963). Os dois tiveram dois filhos: Anne-Marie (21/12/1954) e Olivier (09/02/1956).
Gerard continuou se dividindo entre as telas e os palcos, se tornando um membro do Théatre National de Paris e presidente do sindicato de atores franceses, lutando pelos direitos de sua categoria. No início da década de 50 era um ator bem popular e Membro do Conselho Nacional do Movimento para a paz, tornou-se ativo na luta sindical.
Gerard e Anne

Pouco depois de concluir os trabalhos no filme Les Liaisons dangereuses, de Roger Vadin, ele foi diagnosticado com câncer no fígado. Com a saúde em declínio ele ainda trabalhou em La Fièvre monte à El Pao de Luis Buñuel. Em 25 de novembro de 1959, Gerard morreu de câncer em Paris, aos 36 anos, provocando uma onda de tristeza em seus fãs franceses. Em dezesseis anos, o ator fez trinta filmes e haviam projetos à espera. Poderia ter sido mais se a morte não tivesse lhe batido a porta com tanta antecedência.


O ator foi homenageado com um postal comemorativo na França, lançado em 1961. Novamente, em 1995 seria homenageado com uma série de moedas de edição limitada. Ele foi elevado ao status de mítico em sua terra natal, sendo também homenageado dando nomes a vários teatros. Há um festival francês nomeado com seu nome, bem como colégios que trazem o nome de Gerard Philipe.

Fonte:
http://republique-des-lettres.com/philipe-9782824900766.php

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