A maravilhosa Patricia Morison

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Conheça mais sobre a vida e obra da atriz que fascinou Louis B. Mayer e que se tornou uma das maiores damas da Broadway. Na juventude, Patricia Morison chamava a atenção com sua beleza estonteante.

Nascida em 19 de março de 1915 em Nova York, Eileen Patricia Augusta Fraser Morisonn tinha como pais o dramaturgo e ator William Morison e Selena Morison. Sua mãe trabalhou para o serviço de inteligência britânica e foi a primeira mulher a falar na Câmara dos comuns enquanto seu pai lutava na França. Segundo Patricia, seus pais eram muito discretos e não falavam muito, mas a família era muito unida.

Patricia no entanto, queria ser uma artista, e queria ser pintora. Mesmo ganhando uma bolsa de estudos para Paris, ela preferiu ficar em Nova York, e se dedicar aos palcos. Com isso, estudou atuação, dança e música, sendo particularmente fascinada pela dança. Também pudera, uma de suas professoras foi a aclamada Martha Graham, conhecida dançarina moderna que foi a primeira a se apresentar na Casa Branca. “É difícil descrever Martha Graham para alguém que nunca a viu. Deusa. Em todos os sentidos… uma deusa.”, disse em uma entrevista.

Patricia revelou que se apaixonou pela dança indiana quando viu Ruth St. Denis se apresentando. “Eu era muito impressionável. Fiquei louca por dança estrangeira da Índia e também da Espanha. A dança manteve-me firme em meus pés. Não me tornei uma atriz afetada, era parte de mim”.

Patricia dançaria em algumas revistas musicais antes de chegar às telas em 1939. Hollywood se interessou pela bela atriz de cabelos longos quando ela se apresentou em  “The Two Bouquets” com Alfred Drake. Nesse mesmo ano ela conseguiu um contrato com a Paramount, que passou a vendê-la como uma segunda Loretta Young. Posteriormente, a beleza de Patricia seria também comparada a Dorothy Lamour.

Os colegas de palco não aprovaram a mudança para Los Angeles. “Todos disseram: O que você está fazendo? Você é uma atriz de palco!” (Fonte). Mesmo com o conselho dos amigos ela seguiu para Hollywood, onde o departamento de publicidade queria cortar seus longos cabelos. Ela não permitiu.

Sua estréia nas telas veio em Hiding (1939), onde fazia um pequeno papel. Em 1940 teve destaque em Untamed, onde atuou ao lado de Gary Cooper. Mas após alguns papéis de vilã, ela começou a pensar que talvez seus amigos tivessem razão. Ela estava estigmatizada e infeliz com o rumo de sua carreira.

Com a  chegada da segunda guerra Patricia passou a viajar para entreter as tropas, atuando também na Cantina de Hollywood. A atriz também fez viagens para a Inglaterra em turnê, se apresentando ao lado de Merle Oberon e Al Jolson, que definiu como um homem terrível.

Eu estava sendo preparada para atuar em The Glass Key, ao lado de Alan Ladd quando o chefe do estúdio me disse que Veronica Lake faria a personagem feminina principal. Ele disse que eu ficasse por lá que faria uma participação. Eu disse que não. Nesse dia decidi sair da Paramount“.

Patricia não renovou seu contrato com a Paramount e passou a trabalhar como freelancer para outros estúdios. Dentre os filmes em que atuou nesse período estão The Song of Bernadette(1943), The Fallen Sparrow (1943) e Lady on a Train (1945), todos como figurante. Destaque, porém, somente em filmes B como The Prince of Thieves (1947) e Queen of the Amazons (1947).

Desiludida com Hollywood, decidiu voltar para a Broadway onde atuou com sucesso em Kiss Me, Kate a partir de 1948. Sua performance incluía a interpretação de músicas de Cole Porter, como “I Hate Men”, “Wunderbar” e “So in Love”. Finalmente Patricia fazia as pazes com o teatro e com o sucesso. A peça permaneceu em cartaz por quatro anos. Foi quando Hollywood descobriu que além de atriz, ela também era uma grande cantora.

A montagem recebeu críticas favoráveis, e Patricia estava empolgada com o crescente número de pessoas que iam às suas apresentações. A década de 50 chegaria com algumas participações em especiais e programas televisivos e sua consolidação como atriz dos palcos. Em 1954 ela substituiu Gertrude Lawrence em The King and I, e passou a atuar ao lado de Yul Brynner. Durante as décadas seguintes ela se apresentaria também com outras peças de sucesso.

Você deve se perguntar: uma moça tão bela deve ter tido muitos amores. Patricia nunca casou ou teve filhos, mas admirava o charme de Sterling Hayder,  Preston foster e Greta Garbo. Um grande admirador dela foi o produtor Louis B. Mayer, que chegava a ir em suas apresentações e a lhe oferecer jóias. Ela não aceitou nem ele nem as jóias.

Após se aposentar das telas Patricia voltou a sua antiga paixão: a pintura. Morando em um confortável apartamento na  Park La Brea, Los Angeles, ela se dedica a ver filmes, pintar e a receber amigos. Anos atrás, na ocasião em que completara 99 anos, fez parte de uma apresentação em prol da Broadway Cares / Equity AIDS e o Centro Comunitário Lésbico, Gay, Bissexual e Transgênero no Teatro Hirschfeld. A propósito, ela sempre foi uma grande defensora dos direitos dos homossexuais.

A bela mulher gostava de ler as revistas da moda como a Vogue e a Vanity e também de assistir às Cerimônias do Oscar pela Tv. Mas ela, que já participou em várias ocasiões, afirmou que já se foi o tempo em que as apresentações eram emocionantes e glamourosas.

“Fui tão afortunada na minha vida. Estou grata por estar aqui. Às vezes adoro acordar às 3 da manhã só para ver antigos clássicos na tv.” 

A atriz faleceu aos 103 anos em sua casa em Los Angeles em 21 de maio de 2018.

Quer conhecer mais ainda a bela atriz? Vale a pena conferir essa entrevista feita em 2013. Nela, Patricia relembra momentos de sua carreira nos palcos e nas telas:

Fontes: Artsmeme, IMDBGratefulgardenia, Latimes.

 

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