O Jardim Encantado (1949)

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Adaptação do livro infantil de Frances Hodgson Burnett, O Jardim Encantado já tinha sido adaptado para o cinema em 1919. O filme conta a história de Mary Lennox (Margaret O’Brien) que viveu na Índia toda a sua vida, mas quando seus pais morrem ela é forçada a se mudar para a Inglaterra para viver com seu tio recluso. Andando pela casa sombria e misteriosa, descobre que tem um primo, Colin ( Dean Stockwell ). Os dois iniciam uma amizade. Ela também conhece Dickon (Brian Roper), e juntos, os três descobrem a existência de um jardim secreto na propriedade, e decidem reviver o jardim que está abandonado.

Dirigido por Fred M. Wilcox, foi um sucesso tão grande que acabou inspirando uma série de televisão em 1952, que trazia Brian Roper reprisando seu papel como Dickon. Infelizmente a série foi perdida, pois era transmitida ao vivo. A adaptação do romance lida bastante bem com uma questão tão delicada quanto a relação do pai. Wilcox soube balancear os momentos de tensão (relacionamento do pai com o filho e deste com a criadagem ou a busca de Mary por desvendar os mistérios) e de humor (Mary competindo com o primo quem é mais teimoso e implicante).

A história apesar de infantil tem um tom gótico e sombrio, principalmente visto aos olhos de uma criança. Mary parte para descobrir os mistérios escondidos dentro daquela mansão quando escuta gritos de alguém chorando. A atmosfera escura e desconhecida permanece quando a garota descobre um jardim abandonado e começa a especular os motivos que levaram a isso: ela chega a pensar que aquele santuário tenha sido o cenário de um assassinato no passado. Decidida a clarear o ambiente, junta-se aos amigos para restaurar a alegria. É aí que chegam as cores.

Margaret O’Brien já estava com doze anos e estava já entrando na adolescência. Aquele seria seu último filme para a MGM e sua despedida de grandes papéis. O filme permanece jovial e tem um ritmo agradável e rápido. Mas uma coisa que incomoda bastante  é a ênfase que se faz sobre a personagem de Margaret, com vários adultos dizendo o quanto ela é feia. Olhando-a com seu jeito meigo é impossível acreditar como achavam isso. Dean Stockwell também é um dos destaques do elenco, com um personagem que podia ser extremamente irritante mas que traz momentos carismáticos quando começa com sua auto depreciação melancólica. Sua chantagem “Eu vou morrer” é sua moeda para conseguir as coisas, até Mary chegar e mostrar que não é bem assim.

Outros destaque é a já veterana Elsa Lanchester, como a empregada. Apesar de poucas cenas ela mostra a grande atriz que é, mas que infelizmente teve poucas chances no cinema.


Uma curiosidade, se você assistir a The Little Princess, filme baseado em outro romance escrito por Frances Hodgen Burnett, irá notar algumas semelhanças, como uma jovem que cresce na Índia e que tenta melhorar a vida de milionários ingleses. A diferença é o tom angelical que Shirley Temple sempre emprestava aos seus personagens ao passo que Margaret parece ser uma menina  normal de carne e osso.

As cenas filmadas em technicolor são de tirar o fôlego e é impossível não lembrar do Mágico de Oz, que utilizou essa mesma técnica para dar ênfase na terra de Oz. Aqui, o jardim quando bem cuidado cria cores, rosas, lilases, verdes, tornando-se um lugar mágico.

O Jardim Encantado foi lançado recentemente pelo selo Obras Primas do Cinema e pode ser comprado na  Livraria Saraivahttp://goo.gl/73dMUt

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