À Procura do Destino (1965)

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Dirigido por Robert Mulligan, À Procura do Destino (Inside Daisy Clover) é um filme que coleciona admiradores e é detestado por outros cinéfilos, dividindo opiniões. A história ambientada nos anos trinta traz uma adolescente pobre que sonha em se tornar uma grande estrela. Daisy vive com sua mãe, uma excêntrica figura que passa seus dias jogando cartas em seu trailer em uma comunidade à beira mar.

A vida da jovem começa a mudar quando o produtor Ray Swan ouve uma gravação sua e resolve investir na garota. Ray e sua esposa Melora começam a dominar a vida da jovem, tomando todas as rédeas e decidindo mudar seu destino. Sua mãe que vive entre a realidade e a demência se torna o maior obstáculo para o seu sucesso, e Ray decide interná-la em uma instituição para doentes mentais. Relutantemente, Daisy relutantemente aceita a decisão e em entrevistas afirma ter perdido a mãe.

A cantora conhece Wade Lewis, um homem sedutor e canalha com quem ela inicia um romance. Ray fica desesperado e teme que o relacionamento dos dois acabe com a reputação da jovem. O que Daisy não percebe é que Wade na verdade é homossexual, e não parece bem resolvido com sua sexualidade, abandonando-a após a primeira noite de lua de mel. Pressionada pelo relacionamento mal fadado, com a situação da mãe e o trabalho, Daisy sofre um colapso nervoso.O filme traz um elenco estelar que conta com Natalie Wood, Christopher Plummer, Robert Redford, Roddy McDowall, e Ruth Gordon. Natalie se empolgou muito com a produção e a escolha do elenco e produção passou por suas mãos. A atriz iniciara a carreira muito jovem, ainda aos quatro anos, e antes de iniciar a maioridade já tinha participado de dezoito filmes. Era bem conhecida da área e mantinha boas relações e a passagem para personagens mais adultos ocorreu quando interpretou Judy em Juventude Transviada. Era sua chance de mostrar que já crescera, fato que incomodava parte dos atores mirins.


Na década de 60 ela já tinha, portanto uma carreira estabilizada e com bons filmes no currículo como os populares como West Side Story, Splendor in the Grass e Gypsy. O que intrigou boa parte das pessoas, e fez com que muitos torcessem o nariz foi o fato dela interpretar neste uma adolescente. Embora fosse mignon, Wood já tinha 27 anos na época, enquanto sua personagem deveria ter 14.

Quando há comparações neste sentido, lembramo-nos de curioso caso ocorrido com a icônica atriz Sarah Bernhardt. Já em idade avançada, a atriz interpretou no teatro uma adolescente de 15 anos. Mas sua interpretação foi tão marcante que todos se convenceram que ela era realmente uma jovem púbere. Mas o fato é que, excetuando-se essa pequena licença poética, Natalie foi bem elogiada pela crítica, embora o público não tenha ido conferir nos cinemas.

O final também fica bem aquém do apresentado no romance original de  Gavin Lambert. No livro muitas coisas acontecem com Daisy, ela engravida, muda-se para Nova York e inicia carreira como cantora.


Esse foi um dos primeiros papéis de destaque de Robert Redford, um ator promissor que era destaque na Broadway. Sua indicação veio após Wood presenciar uma de suas performances no teatro. A química entre os dois acabou dando tão certo que eles repetiram a dose no ano seguinte, no filme This Property Is Condemned.  Wade Lewis seria um bom papel mas Redford ficou muito incomodado por ele ser homossexual, e interferiu no roteiro para que o personagem se tornasse bissexual. Para desespero dele, após as filmagens uma nova linha de texto foi inserida e as cenas não deixaram dúvida sobre a sexualidade de Wade.

Finalmente, Ruth Gordon. Uma das queridinhas do público cinéfilo, a atriz nunca protagonizou um filme, mas é daquelas que estão sempre presentes em grandes produções. Com sua participação neste filme foi indicada pela quarta vez, mas só iria ganhar a estatueta em 1969 por O Bebê de Rosemary.

Natalie queria muito cantar as músicas, mas o roteiro fala sobre uma jovem que se destaca através de sua voz, e a da atriz era mediana para o papel. Os produtores decidiram então contratar Jackie Ward para os vocais.

Com um figurino maravilhoso desenhado por Bill Thomas, o único porém acaba sendo a peruca utilizada pela personagem que por muitos motivos não lhe cai bem. Tirando esses pequeníssimos detalhes, ainda é possível admirar este que apesar de não ser excepcional, se torna um bom passatempo. Tem bons momentos, mas há horas que o roteiro carece de um pouco da magia da época retratada. Um dos pontos altos do filme, que não pode ser considerado apenas um musical, é justamente durante o número “The Circus is a Wacky World”.

Abaixo alguns momentos do filme que está sendo lançado pela Obras Primas do Cinema:

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