Roadblock (1951)

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Um dos clássicos da era noir do cinema americano, Roadblock veio a ser lançado no ano de 1951. O interessante é que, sua produtora a RKO, jamais apostou no sucesso do filme, de modo que, gravado foi este com baixo orçamento, pois, o intuito era que fosse um simples filme categoria tipo B, para ser apresentado em sessões duplas. Um lapso, evidentemente. Revendo hoje, Roadblock saiu-se melhor do que qualquer outra película de ponta da produtora de Howard Hughes.

O que torna este filme de certa maneira um clássico, é construção psicológica dos personagens em si. Enquanto a maioria dos filmes noir, voltam suas lentes para uma femme fatale e um crime, Roadblock ressalta as bruscas mudanças psicológicas e comportamentais de seus personagens — tal como em Crime e Castigo, do escritor russo Dostoievski.

Joe Peters — interpretado por Charles McGraw, que em seu currículo tem os ótimos The Threat (1949), e Armored Car Robbery (1950), ao lado da talentosa Adele Jergens —, é um jovem investigador de seguros. Certa manhã, o avião no qual ele se encontra, é obrigado a fazer um pouso de emergência na cidade do Kansas. Perdido nesta, acaba por conhecer uma jovem chamada Diane — no papel Joan Dixon, ótima atriz que merecia ser lembrada com mais freqüência, que protagonizou outro clássico policial dos anos 50: Bunco Squad, ao lado de Robert Sterling —, figura constante da alta-sociedade.

O amor entre ele é inevitável. Todavia, por mais que ame Joe, a garota prefere as finas coisas da vida — champagne, festas, caviar, jóias, peles —, algo que, Peters não tem como adquirir sendo um simples trabalhador. Diane chama seu namorado sempre de “Honest Joe” — devido seu caráter e seriedade com o qual trata todas as coisas —, ela, no entanto, não vem a ser muito adepta a vida proletariada: “Sabe, poderia ter tido um monte de empregos: ser modelo, secretária… Tentei, confesso. Mas, trabalhar é algo tão difícil, que desisti de ir”.

Peters está mais do que apaixonado — e ao mesmo tempo, exausto daquela vida medíocre com seus trezentos e cinqüenta dólares mensais —, e vendo que, pode perdê-la, decide dar uma guinada com “um plano perfeito”. O homem descente então, conta sua idéia para Diane: está disposto a roubar um malote de um banco na estação ferroviária, partir com ela para a cidade de Los Angeles, e se casarem. Diane topa. O roubo ocorre. Todavia, Harry Miller — interpretado por Louis Jean Heydt — antigo amigo de Joe, e ex-investigador, acaba por solucionar o caso, denunciando Peters a polícia. Os mesmos fecham todas as saídas da cidade, de modo que, o casal não tem como sair.

As cenas finais de perseguição que ocorrem nas proximidades do rio Los Angeles, são dignas de qualquer clássico. E McGraw, mostra todo o seu talento, quando morto é pelos policiais. São setenta e três minutos de pura emoção. Vale também destacar o trabalho de direção de Harold Daniels, e a fotografia de Nicholas Musuraca.

Colaboração: Ricardo Steil — Itajaí/SC

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