A História de amor de Janet Leigh e Tony Curtis

2735

As páginas dos jornais e revistas ilustravam inúmeros momentos deste que era um dos casais mais adorados de Hollywood. Mas como você pode imaginar, nem tudo eram flores.

Eles já estavam juntos há dois anos, e em 1953, a revista brasileira Scena Muda publicava uma foto sobre o casal:

Scena Muda, edição 31, 1953

Não era um fato isolado. Folheando revistas antigas percebemos o quanto o casal era um queridinho da imprensa. O fato é que ambos eram extremamente simpáticos com seu público, e vê-los juntos parecia trazer algum alívio para os corações românticos. Mas como tudo começou?

Tony Curtis e Janet Leigh 1950s

Quando conheceu Tony (nome artístico de  Bernard Schwartz), Janet já havia se casado duas vezes. A primeira vez aos 15 anos, um verdadeiro desengano que foi anulado quatro meses depois. E a segunda aos 18. Em 1949 ela já estaria divorciada, e apenas dois anos mais tarde conheceria o belo ator. Havia notícias de que os estúdios não aprovavam o casamento dos dois, mas isso era improvável. É mais certo que talvez essa informação tenha vazado para reforçar o caráter Romeu e Julieta da dupla.

Jerry Lewis e a esposa foram testemunhas do casamento em 4 de junho de 1951

E eles formavam uma dupla bonita de se ver. Bonitos, jovens (ele tinha 26 e ela 24 anos), bem dispostos, simpáticos, com carreiras decolando. Juntos, representavam não só uma América saudável, mas um casal difícil de se ver na Hollywood daqueles dias. O casamento acabou acontecendo em 4 de junho de 1951.

E se o público e imprensa estavam satisfeitos, os estúdios também monetizavam em cima da relação perfeita. Os dois estrelariam juntos cinco filmes durante o relacionamento. A maior parte grandes sucessos: Houdini (1953), The Black Shield of Falworth (1954), The Vikings (1958), The Perfect Furlough (1958) e Who Was That Lady? (1960). E não é exagero dizer que muitos iam aos cinemas apenas para vê-los juntos.

Tony Curtis e Janet Leigh 1950s, por Milton Greene

O casal era bem requisitado para todo tipo de reunião, encontro, confraternização, levando sempre o ar saudável para essas festas. Juntos tiveram duas filhas, Kelly Curtis, nascida em 17 de junho de 1956 e Jamie Lee Curtis, em 22 de novembro de 1958. A felicidade parecia completa neste ensaio:

Janet Leigh, Tony Curtis e filhas em 1959

E de fato eles formavam um belo e aparentemente bem humorado casal, diferentemente de “muitos casais por aí”:

Revista Carioca, 1953, edição 943

A reporter Katy Miller, da revista Scena Muda, era outra que não tinha dúvidas de que eles eram de fato muito felizes. Nesta reportagem abaixo ela revelava algo que Janet teria lhe confidenciado.  A atriz acumulava as funções de esposa, mãe, atriz e (aparentemente) secretária de seu marido. E parecia muito feliz com isso:

“O casal é perfeito em muitas coisas e acredito que acima de tudo, Tony e Janet prezam no seu lar a compreensão. Eles não discutem de modo algum sobre detalhes insignificantes. Se Janet, por acúmulo de trabalho do estúdio, está com a memória fraca e esqueceu de lembrar a Tony um compromisso urgente para o dia seguinte, existe sempre da parte dele uma desculpa. Ela não se incomoda de apresentar as suas, porque Tony com um sorriso encerra o assunto.” (Scena Muda)

Isso não me parece muito feliz. Mas vamos em frente. Em 1961, a revista A Vida Doméstica enaltecia a simpatia e o caráter fiel de Tony:

Clique no link para ver a reportagem completa na revista Vida Doméstica

Como você pode imaginar, não existe perfeição. E seria lindo se a vida dos dois fosse esse paraíso exaltado pela imprensa e firmemente defendida por ele. Mas uma década de casamento foi suficiente para que o público (e eles) percebessem que dificilmente consegue-se manter algo assim. Ninguém é feliz 24 horas e os Curtis não eram uma exceção.

Algumas coisas são lendárias em Curtis: sua simpatia, seu carisma, sua beleza e também suas infidelidades. O ator que colecionava namoradas durante todos os seus casamentos, também tinha problemas com o álcool, e isso faz qualquer relacionamento baseado na confiança ruir. O início da década de 60 também trouxe uma maturidade profissional para ambos, o sucesso os acompanhava. Enquanto Leigh brilhava no filme de Hitchcock (Psicose), Curtis se firmava cada dia mais como um dos queridinhos das telas, em filmes como Spartacus, de Stanley Kubrick, por exemplo.

Além disso, parece difícil para Leigh manter-se como a “secretária” exaltada pela Scena Muda tendo ela mesma que lidar com sua carreira. Os rumores sobre uma possível separação já acompanhava o casal quando eles estiveram no Brasil em 1961:

O Mundo Ilustrado, 1961. Edição 199

O que a imprensa desconhecia é que neste período Curtis já estava apaixonado por Christine Kaufmann, uma bela atriz de 18 anos que havia conhecido durante as filmagens de Taras Bulba.

O resultado não demoraria a sair. Finalmente em 1962 os Curtis anunciavam o divórcio. Para escapar do linchamento público da imprensa que tanto os amava, o ator chegou a comentar que eles já não viviam como um casal há pelo menos um ano. Janet parecia disposta a colocar uma pá de cal no assunto, casando-se quase que imediatamente com Robert Brandt. Após o casamento, a atriz e seu novo marido passaram a viver de maneira discreta em Los Angeles, onde criariam as garotas. Os dois permaneceriam unidos até a morte dela em 2004.

Janet com seu quarto marido, Robert Brandt

Tony se casaria no ano seguinte, com Christina. O casal teria mais dois filhos, se separando cinco anos depois. Aqui nesta foto eles são abençoados por Kirk, amigo íntimo:

Tony Curtis, Christine Kaufmann, Kirk Douglas e uma mulher que não consigo identificar quem seja.

Tony se casaria mais quatro vezes, e teria um total de seis filhos. Sua filha Jamie Lee chegou a declarar várias vezes que ele nunca foi um bom pai, deixando sua educação totalmente a cargo de sua mãe e seu marido. O ator, falecido em 2010 deixou toda sua herança avaliada em 65 milhões de dólares para sua última esposa, Jill. Seus seis filhos foram todos deserdados.

Em tempo: Contos de fadas não existem, mas acreditamos que Janet e Tony acumularam bons momentos juntos, e à parte os exageros, chegaram a ser felizes durante um bom tempo juntos.

Fontes: MemoriaBnLifeTimeDailyMail

Comente Aqui!

COMPARTILHAR
Artigo anteriorBiografia de Yvonne de Carlo
Próximo artigoO Garoto (1921)
Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.