Vida e Obra de Cary Grant

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Cary Grant, nasceu Archibal Alexander Leach, em Bristol (Inglaterra), em janeiro de 1904. Dentre as loucuras da mãe, estava o fato de vestir Cary com vestidos. Seu pai não ficou muito atrás, e internou a esposa em um sanatório, sem nada dizer ao filho, que pensou que ela estivesse morta até a idade adulta.

Cary se apaixonou pelo teatro e passou a frequentar constantemente um grupo. Pouco tempo depois fugiu com eles, depois de abandonar os estudos aos 14 anos. Ao descobrirem sua idade, devolveram ao pai. Mas o estrago estava feito, e ele não demorou a fazer parte do teatro novamente. Em 1918 estava na Trupe de Bob Pender, dançando e fazendo acrobacias.

Em 1920 a trupe chegou nos Estados Unidos, onde Cary se apresentou na Broadway. Não quis regressar ao seu país, e ficou nos EUA trabalhando como modelo e esporadicamente ator, trabalhando desde homem sanduíche até atendimento particulares a senhoras. Depois de participar de algumas comédias musicais, como “Golden Dawn” e “Nikki”, conseguiu um contrato com a Paramount, em 1932, onde mudou o nome para Cary Grant (um trocadilho, do nome de um dos maiores atores da época Gary Cooper).

Cary Grant e Thelma Todd em This Is the Night (1932)

Estreou em This Is the Night (1932), de Frank Tuttle, fazendo um papel secundário. Em Blonde Vênus aparece ao lado de Marlene Dietrich. Mãe West se agradou dele, e exigiu sua participação em dois filmes seus. Depois de atuar com diversas estrelas, como Katherine Hepburn e Irenne Dunne, Carole Lombart, conseguia finalmente chegar ao estrelato.

Em 1941 concorreu ao Oscar com Penny Serenade, mas acabou perdendo para Gary Cooper. No ano seguinte perderia para Bing Crosby. Esse ano também marcaria o início de uma colaboração importante para ambos os lados, quando atuou pela primeira vez para Alfred Hitchcock em Suspicion, que acabou sendo prejudicado, já que o final imaginado por Hich não pôde ir ao ar, sendo trocado por algo mais paliativo. Mas o público queria mais Grant. Fazendo comédias ele provou ser um ator versátil. Durante as décadas de 50 e 60 ele seguiu fazendo enorme sucesso em comédias, dramas e suspenses. Em 1966 ele abandonou as telas por achar que sua imagem de galã iria ficar manchada caso insistisse em fazer papéis como tal. Já se sentia incomodado com o fato de dividir a tela com atrizes bem mais jovens, como Audrey Hepburn e chegou a recusar vários papéis.

Vida Particular

Grant sempre enfrentou rumores sobre sua homossexualidade,  sobretudo um longo relacionamento com Randolph Scott, com quem dividiu uma casa durante algum tempo. Os dois se tratavam carinhosamente e foram amigos durante toda a vida, inclusive voltando a morar juntos entre casamentos.

Sua primeira esposa foi a Virginia Cherril, conhecida como a atriz que fez a cega do filme Luzes da Ribalta, de Chaplin. Há rumores de que foi um casamento arranjado, para que calassem os rumores sobre seu relacionamento com Scott. O casamento acabou não dando certo não pelos motivos óbvios, mas pelo ciúme excessivo de Cary, que botava vigias atrás de Virginia. Scott continuava sendo seu vizinho e “melhor amigo”. Sua segunda esposa foi Bárbara Hutton. Segundo amigos de Hutton, o casamento jamais se consumou, mas o fato é que Cary ficou depressivo e só iria se interessar por outra mulher quatro anos depois.

Sua terceira esposa foi Betsy Drake, atriz,  com quem ele aprendeu a beber compulsivamente e a usar LSD. Ela que amava a leitura fez com que ele se interessasse mais em aprender. Foi nessa época que conheceu Sophia Loren, por quem se apaixonou perdidamente, porém ela já estava casada e recusava-se a deixar o marido por Cary. Foi talvez uma das poucas mulheres por quem ele se interessou, e os dois permaneceram amigos por toda a vida. Foi ele quem avisou a ela por telefone quando ela recebeu o Oscar de Melhor Atriz pelo filme Duas mulheres.

Cary Grant e sua esposa Barbara Hutton

Dyan Cannon seria sua quarta esposa, com quem teve sua única filha, Jennifer, já aos 60 anos. Cary, que evitou durante toda a vida ter filhos descobria-se um pai presente, filmando cada passo de sua filha, acompanhando em cada etapa de seu crescimento. Mesmo depois de sua separação de Dyan, também por causa de seu ciúme exagerado, continuou participando ativamente da vida da filha, que acabou sendo sua grande paixão.

“Meu pai era muito presente. Ele se aposentou aos 60 anos, quando eu nasci, então eu tive ele por perto durante os meus primeiros 20 anos de vida. Embora eu morasse com a minha mãe, estava constantemente com ele, em sua casa. Vi-o muito mais do que o filho de pais divorciados poderia esperar. Eu sabia que ele era mais velho do que a maioria dos pais, mas quando você é jovem, você tende a viver o momento. O conceito de morte era estranho para mim. E, no entanto, ele trazia isso sempre à tona. Eu odiava essas conversas.”

Cary e sua filha jennifer

Bárbara Harris foi sua ultima esposa,com quem ele finalmente viveu um relacionamento tranquilo. Cary morreu em novembro de 1986, aos 82 anos. Dizia que esperassem, porque após sua morte falariam muito sobre sua vida particular, e ele não teria como se defender. E foi o que aconteceu quando voltaram a questionar sua sexualidade.

Mas pouco importa isso. Sua carreira e representação para o cinema é superior a qualquer especulação sobre isso. Era conhecido por seu profissionalismo, sempre chegando cedo e negando-se a trabalhar com quem também não seguisse seu ritmo. É assim que ele gostaria de ser lembrado. E é assim que iremos nos lembrar dele.

Jennifer Grant com uma foto de seu pai

Confira também essa galeria de fotos em forma de vídeo:

https://youtu.be/n_N9vMlI_Ms

Fonte de pesquisa: Cary Grant – um Toque de Elegância, de Warren G. Harris

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