Kaos (1984)

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Segundo o dicionário, Káos, palavra grega, significa abrir-se, entreabrir-se e foi usada pela primeira vez na Teogonia de Hesíodo, designando o vazio causado pela separação entre a Terra e o Céu a partir do momento de emergência do Cosmo.

 Kaos também dá nome ao filme de Paolo e Vittorio Taviani. O filme traz cinco histórias adaptadas dos contos de Luigi Pirandello. As histórias se passam no século 19 na Sicília e são independentes entre si. Mas estão unidas pelo forte senso de comunidade que aparece em todas elas e também na forma graciosa como cada uma termina. Os contos trazem um lirismo, e a lua e a força da natureza apresenta-se em sua melhor face, influenciando nas histórias contadas.
O outro filho
Na abertura, um corvo masculino é descoberto por um grupo de aldeõs, sentado em um ninho cheio de ovos. Espantados com tal fato que julgam ser degradante, começam a maltratar o bicho, zombando e quase o matando. Um outro aldeão aparece e salva a ave. Amarrando um sino nele, o solta e ele sobrevoará todas as histórias que serão contadas.
As paisagens sicilianas são trazidas para o espectador logo na primeira história. Em “O outro filho”, uma mulher vive nas ruas e sempre busca notícias dos dois filhos que emigraram para os Estados Unidos aos 14 anos e nunca mais deram notícias. Um outro filho ficou, mas ela o despreza. No desenrolar da história entramos em contato com o motivo que a faz com que ela não o ame. Ela reconhece que o filho é um homem bom e honesto, mas uma mágoa profunda faz com que não consiga amá-lo. Essa é a mais dolorosa das histórias, trazendo a história de uma mulher que foi enfraquecida pelas circunstâncias e que cujo alento é alguém que lhe traz a memória de péssimos dias. Enquanto isso, o filho que ela não gosta continua a segui-la para que ela não fique sozinha, se magoando cada vez que a mãe lhe profere palavras amargas.
O Mal da Lua
No segundo conto, “O Mal da Lua”, uma mulher recém casada descobre que seu marido tem alterações em noites de lua cheia. O casamento teve início 20 dias antes e ela se vê surpresa diante da novidade. Seu marido lhe pede que naquela noite ela feche as janelas e portas e não as abra em hipótese alguma. Durante a noite o marido uiva e quebra tudo. Petrificada, ela vai embora. Envergonhado de tudo o que fez na noite anterior, Beta, o marido, vai atrás dela e na praça pública começa a contar o motivo de sua doença. Todos o espiam por trás das suas portas.

Em “O Vaso”  um homem rico e ganancioso contrata um homem para consertar um imenso e caro vaso, que é usado para colocar azeite. Don Lollo é um rico proprietário de terras e encomenda um imenso vaso para carregar o azeite. O vaso acaba se quebrando e ele contrata um artesão para consertá-lo. Só que por um descuido o mesmo fica trancado dentro do mesmo. Ao saber do feito do artesão, o dono do vaso começa a ameaçá-lo caso ele quebre o mesmo. Aqui, mais uma vez a lua tem um contato direto com a história.

O Vaso
“Réquiem”, a mais breve das histórias, mostra os aldeões que lutam para que seus mortos sejam enterrados no cemitério local. Um ancião da aldeia deseja ser enterrado em um local particular, desafiando o barão, dono das terras.
“Colóquio com a Mãe” fecha o círculo de contos, trazendo a história de um velho homem que retorna à casa onde passou sua infância e tem um diálogo (imaginário?) com sua mãe já falecida. Ele começa a lembrar-se de um fato em especial de sua infância.
Colóquio com a Mãe
Kaos foi lançado recentemente pela Obras Primas do Cinema, numa versão integral e sem cortes. É a primeira vez que o filme é lançado no Brasil.

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