O Sheik (1921)

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O romance “O Sheik” de E.M. Hull não foi bem recebido pela crítica inglesa, que o considerava ofensivo, amoral e desprezível. Além de tudo foi escrito por uma mulher que usava apenas as iniciais E. M. de Edith Maude. Tal fato fez o livro se tornar um best seller mundial, chegando aos Estados Unidos e estourando em vendas.

O livro trata da história do xeque Ahmed Ben Hassan, um árabe, que rouba uma inglesa e depois de muitos embates acabam por se tornar amantes. O povo, como sempre, chegado a um furdunço, correu logo para comprar. Chocados, mas comprando para conferir se era mesmo isso tudo. E era chocante mesmo. O amor de um mestiço por uma branca!!! Pois é. Estamos tratando de um livro escrito por volta do início do século passado, entendam.  Vamos ao enredo… Ela, uma mulher ultra moderna, querendo viajar um pouco para refrescar as idéias no deserto árabe. Ele, um sheik (mal) educado em escolas parisienses e que não sabe ouvir um não. Aí vai um parênteses. Não queira analisar sob o prisma da atualidade, que é extremamente machista e intolerante. Criticar com olhos atuais algo escrito há mais de um século atrás é tão estúpido quanto  o pensamento em voga na sociedade de então.

Mais de 1 milhão de livros vendidos depois, executivos de Hollywood se interessariam pela história. Walter Wanger propôs à Paramount comprar os direitos da novela, e transforma-la em um filme. Isso foi uma novela à parte, e o roteiro teve que ser ligeiramente adaptado a realidade americana.
Agnes Ayres foi escolhida para o papel de Diana e para o Xeque, o ator de maior sucesso no momento, Rodolfo Valentino:

Valentino e Ayres nos bastidores das filmagens

Valentino ficou extasiado com a proposta. Correu logo para provar roupas e se preparar para as filmagens que seriam realizadas no deserto do Arizona. Já tinha lido o livro e ficado encantado com a história de bravura. Observação: Visto hoje pode parecer engraçado todo esse carnaval feito em torno de Valentino, e sua cara de desejo mais se assemelha a de um louco varrido, mas funcionava! E como! As moças todas sonhando com o momento em que ele prende a pobre dama e a leva à força para sua tenda… Mas ele justifica tamanha “crueldade”: “No meu mundo os homens roubam as mulheres pelas quais se interessa”. ah certo…  Então tá.

O sheik com cara de doido varrido

 

O  filme acabou se tornando um enorme sucesso. O Sheik virou sinônimo para Valentino, e as moças sonhavam um dia encontrarem no deserto um homem que as carregasse à força e fosse lindo como um Valentino. Este faria a continuação, com O Filho de Valentino, dessa vez trazendo Vilma Bank como parceira e Agnes Ayres novamente no papel de Diana envelhecida e serena. Seria seu último filme, em 1926.

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