O Último Tango (1960)

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Luís César Amadori foi um dos principais diretores da idade de ouro do cinema espanhol. Nascido na Itália, chegou a dirigir as versões espanholas de grandes filmes da Disney, como Fantasia, Pinóquio e Bambi. Sua chegada à Espanha se deu após o golpe contra Juan Peron. Com O Último Tango ele trazia uma de suas principais realizações no cinema espanhol, protagonizado por duas grandes estrelas: Sara Montiel e Maurice Ronet.

Com um orçamento apertado e condições técnicas difíceis, é incrível como Amadori  conseguiu extrair uma película que entretém e toca a corda emocional de sua audiência. E isso em parte é graças à graça de suas duas estrelas principais.

 A dupla já havia protagonizado juntos Carmen La Roca com grande êxito no ano anterior, e repetiria a dose em mais dois filmes. Aqui, Sara é Marta Andreu, filha do diretor de uma companhia lírica que sonha em chegar um dia a estrelar um grande espetáculo, mas o máximo que ela consegue chegar é a assistente de Luisa Marival, uma grande estrela dos palcos. Luisa está com a viagem marcada para a Argentina, mas é incapacidade de partir.

Para evitar problemas com os contratantes, Marta toma seu lugar e se transforma em um grande triunfo. A aparição da verdadeira Luisa a faz entrar em dificuldades e a grande dúvida surge: seguir fingindo ser uma grande estrela ou assumir a fraude? Em meio a isso surge Dario Ledesma (Maurice Ronet), um homem que conhece sua origem e se apaixona por ela. Porém, Dario tem uma noiva, e tal fato abalará a confiança de Marta nele. Após um acidente, a cantora preferirá afastar-se de todos, e aceitar seu triste destino.

O melodrama tem todas as características de uma novela, com grandes reviravoltas e até a clássica cegueira que surge como motivo para uma fuga, ao estilo Magnificent Obsession (1954), do grande Douglas Sirk. O roteiro demasiado demorado se torna o ponto fraco, assim como o excesso de músicas, mesmo que belíssimas. Entendo que o principal intuito do filme era mostrar a belíssima voz de Sara Montiel, mas o exagero típico dos musicais o tornou uma película demasiada demorada. Mesmo assim é um prazer ouvi-la em um repertório variado e  releituras de grandes clássicos como Melodía de arrabal (de Carlos Gardel), Maniquí parisien (de Manuel Aniesa e Arcadio Rosés Berdiel) e o delicioso Yira…Yira (de Enrique Santos Discépolo).

 

Não posso deixar de observar o belíssimo figurino assinado por Joaquín Esparza, que também assinou outros filmes da Sara, como Carmen de La Ronda e La Violetera.

O Último Tango foi lançado no Brasil pela distribuidora Classicline e encontra-se à venda em todas as lojas do ramo. As imagens utilizadas aqui foram retiradas da versão, que foi remasterizada. Dá uma conferida em outras imagens:

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