Pecado de Amor (1961)

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Pecado de Amor (Subleme Melodia), filme dirigido por Luis César Amadori, traz no elenco Sara Montiel. Esse não é o mais conhecido filme do diretor, que embora tenha nascido na Itália, se tornou um dos mais influentes do cinema argentino. No elenco, Sara Montiel, que na época gozava de extrema popularidade por causa de sua beleza e voz. Os executivos americanos tinham o desejo de transformá-la numa nova “Gilda” (Rita Hayworth), mas Sara tinha um talento próprio e soube manter seu próprio estilo.

O filme conta também com Terence Hill, que na época tinha 22 anos e pouca experiência. Ele se tornou bastante conhecido posteriormente por dua dupla com Bud Spencer e o seu personagem Trinity. Completando o elenco principal, Reginald Kernan, ator pouco conhecido e que só chegou a fazer quatro participações em filmes.

Pecado de Amor, contado em flashback, narra a história de Magda Beltran, uma freira que relembra os motivos que a fizeram se recolher ao monastério. Ela era uma cantora de boate que fazia imenso sucesso com suas músicas (um bom motivo para mostrar a voz e figurinos de Sara Montiel). Sua filha era o principal motivo de sua luta. Tentando se livrar de Ángel Vega (Terence Hill), jovem amante, ela acaba conhecendo o pai deste, Adolfo Vega Linares (Reginald Kernan). Os dois a princípio não se dão bem, pois Adolfo deseja provar ao filho que Magda seria uma mulher vulgar. Mas os dois logo desenvolvem uma amizade e ela chega a lhe apresentar sua filha, única razão que a faz lutar.

Incitada por seu empresário, Magda chama Adolfo em seu apartamento e após uma discussão ela acaba por matar o vilão, indo presa e perdendo a guarda de sua filha. Com o testemunho de Adolfo ela consegue ser solta e começa uma excursão pelo mundo. Até que encontra Adolfo na Grécia e os dois reiniciam o romance.

O filme traz algumas incongruências no roteiro como não mostrar de fato o relacionamento de Magda com sua filha. Temos apenas um lampejo, quando ela visita a criança que está dormindo e insiste para que não a acorde. Pelo tamanho da garota, por volta de 8 ou 9 anos, é de se estranhar que ela não lembre da mãe quando a reencontra posteriormente. O próprio fato da cantora não lutar por reaver sua filha é algo que não passa credibilidade. Ela sempre abrir mão de coisas que teria direito dá um caráter raso à personagem.
Tampouco o romance entre ela e Adolfo passa alguma credibilidade. Ele é um ator que apesar de ter uma boa presença é um péssimo ator e não demonstra sentimentos. Isso acaba por prejudicar o desevolvimento da história. O próprio Terence, em início de carreira, apesar de estar num processo de aprendizado, demonstra mais intimidade com a tela que o Reginald Kernan, e vendo sob esse ângulo, percebemos porque a carreira do ator durou tão pouco tempo.
A única que realmente passa alguma interpretação é Sara, que aparece em quase todas as cenas e em nove músicas ao longo da película. A mais famosa de todas é uma versão de “El día que me quieras”, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera. Os figurinos feitos por Cristóbal Balenciaga são um espetáculo de cores e uma das melhores coisas é ver Sara mudar de roupas. Praticamente uma por sequência.

A história também não volta ao ponto inicial, já que se trata de um flashback. Iniciada com Magda contando uma história para uma moça que pensa em se suicidar, não retorna ao ponto inicial, deixando pontas e perguntas: terá a freira convencido a moça a não cometer o suicídio?

Raro no Brasil, finalmente o filme foi lançado pela Classicline e já está à venda na Saraiva e Livraria Cultura, dentre outras lojas. A distribuidora está fazendo um resgate de filmes espanhóis. Mês passado lançou Violetas Imperiais, com a cantora Carmem Sevilha.

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