Terra de Paixões (1932)

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Red Dust (Victor Fleming, 1932) conta a história de Dennis Carson (Clark Gable), um fazendeiro de borracha que vive na Indochina e se vê dividido entre a paixão pela bela Vantine (Jean Harlow), uma jovem prostituta, e Barbara Willis (Mary Astor), uma mulher casada e senhora da sociedade.

Harlow está impagável no papel da apaixonada Vantine, tanto que à primeira vista fica difícil entender como Dennis se interessa por uma morna senhora que em nada tem a ver com seu estilo de vida. Dennis é um daqueles homens que diferenciam as mulheres entre as destinadas a casar ou para ficar. O relacionamento de Dennis com Barbara parece tecido justamente por essa ânsia em provar da mulher de “família” e ter um pouco do que observa do relacionamento dela com seu marido, a devoção e o carinho expresso um pelo outro.

Sem vilania de nenhuma das partes, o filme mostra um lado interessante sobre a moralidade aliada à bondade esperada das mulheres. Vantina representa a mulher livre e com brio, e que apesar de ser uma mulher da vida, mantem a dignidade mesmo quando o jogo parece estar contra ela. Em uma das cenas iniciais, após a noite de amor com Dennis, ela mantém a cabeça erguida e nega-se a aceitar o dinheiro que ele lhe oferece. Vantina demonstra ansiar por amor sincero e  estável, e sua decepção com o homem por quem se interessou fica latente na cena seguinte quando pega suas coisas e dignamente se vai.

Barbara, por sua vez, chega à Indochina com seu marido que vai trabalhar como engenheiro da plantação de borracha. Dennis logo é atraído por ela, e aproveitando a ausência do marido, começa a seduzi-la. Dennis está tão encantado por Barbara que a convence a deixar o marido e ficar com ele. A única coisa que o faz repensar a relação é saber o quanto ele a ama. É nesse momento que o lado vingativo de Bárbara vem à tona. A mulher correta da sociedade também é capaz de trair e de ferir quando ferida. E Vantina também é capaz de cuidar quando é preciso.

Apesar do filme ter sido feito há mais de 70 anos mantém-se extremamente atual para os nossos padrões, isso porque foi feito no pré-code. E para aqueles que nunca viram um filme pré-Code, feito antes das regras de moralidade aplicadas aos filmes americanos, Red Dust é um grande filme para se começar. Essa abertura para a bondade além da moralidade feminina é bem típica de filmes pré-code. Com a chegada do código Hayes em 1934 foi estipulado claramente que não poderia existir moralidade numa mulher que não seguisse as regras impostas pela sociedade, dentre outras regras absurdas. Red Dust seria um filme que não se aplicava às novas regras, e temos sorte que tenha sido feito antes.

 
Além das performances bem realistas do trio principal de atores. Harlow e Gable já tinham trabalhado juntos, e embora Joan Crawford e Greta Garbo tivessem sido cogitadas para a personagem, a loura mostrou ser a escolha correta. A química entre os dois atores é quase tátil e convincente.
Uma coisa que não podemos deixar de relatar é o racismo pelos chineses, expresso pelo tratamento de Dennis aos seus empregados, algo totalmente inaceitável por nós mas perfeitamente aceito no cinema da década de 30 (vide The Bitter Tea of General Yen, de 1933).
Red Dust foi refeito 20 anos mais tarde sob o título de Mogambo e dirigido por John Ford. Clark repetiu seu papel, mas dessa vez com Ava Gardner e Gracy Kelly nos papéis femininos.

O filme foi lançado recentemente pelo selo Obras Primas do Cinema com uma ótima qualidade e um lindo card.
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