Uma Cidade que Surge (1939)

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Uma Cidade Que Surge (Dodge City) traz em seu prólogo homens falando sobre a inevitabilidade do progresso. O ano é 1866 e a civilização avança em Dodge City, com a chegada da ferrovia. É o velho contra o novo. Mas quando o filme avança para 1872 percebemos o quanto a corrupção e a violência tomaram conta da cidade antes civilizada. Não existe respeito pela vida humana e a lei acaba sendo a do mais forte. E é preciso que alguém se erga contra isso. Wade Hatton (Errol Flynn), um ex-funcionário da estrada de ferro da cidade, irá tomar as rédeas e fazer com que a cidade finalmente se transforme em um bom lugar para morar.

Antes de mais nada é preciso que eu diga que o filme de 1939 possui uma das melhores fotografias em technicolor que já vi no cinema. Ele está nesse ponto no mesmo patamar de obras também realizadas nesse ano, E o Vento Levou e O Mágico de Oz. A riqueza da paleta de cores é realmente suntuosa nos possibilitando ver todos os detalhes de cenários, figurinos e maquiagem dos atores (rouge gritando em Errol Flynn e Olivia de Havilland, moda da época).

Como western ele traz todos os clichês do gênero, mas com a ressalva de ter sido um dos modelos a ser seguido: a chegada da ferrovia, os tiroteios, as caravanas, as brigas nos bares, a mocinha (Ann Sheridan) que dança no bar, as perseguições nas diligências, se tornando assim um dos maiores filmes sobre o velho Oeste.

Embora Errol Flynn fosse um grande astro na época e um dos mais rentáveis para a Warner, ele não foi unanimidade na escolha do personagem Wade Hatton. O ator era bastante conhecido por seus papéis em filmes de capa e espada (vide The Adventures of Robin Hood e Captain Blood) e havia uma certa dúvida se seria bem recebido um novo western com ele (ele já tinha feito A Carga de Cavalaria Ligeira em 1936). O ator era bem acostumado a filmes de ação, mas sua baby face parecia não combinar muito com a poeira do velho Oeste. E de fato é estranho ver ele, seu glamour bronzeado e seu bigode bem aparado nas ruas empoeiradas de Dodge City. Mas seja como for a empreitada deu certo e ele atuou mais uma vez ao lado de Olivia de Havilland, um de seus pares mais constantes nos filmes.

Olivia, nesse ano também ficou imortalizada com a Melanie de E o Vento Levou, e a química entre os dois era tão evidente que já vinham para o quinto filme juntos. O diretor escolhido foi Michael Curtiz, que era extremamente impopular entre os atores e teve particularmente problemas com Errol Flynn: os dois nunca se deram bem, embora tentassem agir de forma profissional. A parceria de fato deu certo e Curtiz soube dirigir como ninguém as boas cenas de ação em Dodge City.
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O filme está sendo lançado no Brasil pela Classicline e já está à venda nas lojas físicas e pela internet.


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