Katy Jurado, a primeira mexicana a ser indicada ao Oscar

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Infelizmente ela carregou o estigma de ser uma atriz latina e Hollywood demarca muito seu território, renegando pequenos papéis aos que nasceram em outro país, sobretudo latino.

 

María Cristina Estela Marcela Jurado García nasceu em Guadalajara em 16 de janeiro de 1924. Você pode reconhecê-la de alguns papéis televisivos que ela fez no final de sua carreira mas ela também fez vários filmes.

A carreira cinematográfica teve início em No Matarás (1943), e é possível encontrar esse filme inteiro no youtube, mas sem legendas. A atriz que tinha apenas 16 anos é nomeada como Katty Jurado (com dois “t”) e faz uma pequena participação.

Nesse período ela se casou com seu primeiro marido, Victor Velazquez. O casamento durou pouco tempo, mas na década de 40 ela trabalhou intensamente em filmes mexicanos, o mais famoso foi Nós los Pobres (1947), e acabou chamando a atenção dos americanos. Foi através de Budd Boetticher que ela fez seu primeiro filme fora do México. Em 1951 ela estrelava Paixão de Toureiro (Bullfighter and the Lady). Detalhe: Katy não sabia uma palavra em inglês e decorava seu texto foneticamente.

Ela trabalhou ao lado de Miroslava e Sara Montiel no drama Encarceradas (1951). Mas foi em Matar ou Morrer (High Noon, 1952) que seu nome passou a ser reconhecido. Atuando ao lado de Gary Cooper e Grace Kelly. Para atuar melhor, ela estudou e aprendeu inglês. A imprensa logo estampou que as duas atrizes não se davam bem nos estúdios.

Vendo outros tantos casos como este chego à conclusão que vender a imagem que duas mulheres brigavam ajudava em muito a vender um filme, mas prejudicava profundamente a maneira como elas (eu e você também) somos vistos. Aquela impressão de que sempre há disputas e que não conseguem ser amigas. Questionada, Katy afirmou que não houve nenhuma briga e as duas se deram muito bem nos sets.

Apesar de ser uma atriz espetacular, Katy foi escalada para vários faroestes tipo B, estigmatizada, e aquém de seu talento. Enquanto atuava em Homens das Terras Bravas (The Badlanders , 1958), de Delmer Daves, que ela conheceu seu segundo marido, o também ator Ernest Borgnine. Ela, que já tinha dois filhos do primeiro casamento, ficaria ao lado de Borgnine até 1963.

A atriz tinha muitos amigos em Hollywood, Frank Sinatra (com quem chegou a ter um romance que ela acabou), Sammy Davis Jr., Burt Lancaster, John Wayne, Frank Sinatra e Marlon Brando.

Em 1955 ela foi indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante por sua participação em Lança Partida (Broken Lance, 1954), tornando-se a primeira mexicana a conseguir tal feito. No filme ela desempenhava o papel de mãe do ator Robert Wagner mas era apenas seis anos mais velha do que ele. Ela ganharia o Globo de Ouro por High Noon (1952).

Na década de 60 Katy partiu para a Europa, trabalhando em filmes como  I Briganti Italiani (1961) e Barabbas (1962). Nesse período seu casamento com Borgnine estava bastante abalado. Ele, que chegou a dizer que ela era linda mas uma fera, se divorciou da mexicana em 1963. Ela anunciou sua aposentadoria, mas não resistiu um retorno ao cinema em filmes como Annie Lightcloud em Stay Away Joe (1968).

Sua carreira seguiu por mais de oito décadas, rendendo-lhe 71 filmes ao longo da carreira. Nos últimos tempos ela ainda trabalhou fazendo pequenas participações em novelas mexicanas. A última atuação foi em Un Secreto de Esperanza, gravado em 2002. A atriz faleceu aos 78 em 4 de julho de 2002, no México.

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