Gale Sondergaard, a atriz que foi considerada Bela Demais para ser Bruxa

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Em 1937 o rosto de Gale Sondergaard já tinha servido de inspiração para a Disney, para a Madrasta bruxa, que de tão bela acaba se tornando obcecada em ser a mais bela de todas, e manda matar a coitada e inocente garotinha que é obrigada a fugir e ir viver com sete anões em uma floresta. Isso, ela serviu de inspiração para a bruxa de Branca de Neve e os Sete Anões.

Em 1938 surgiu a oportunidade de vivenciar um papel como bruxa de carne e osso. Seria a da bruxa má do Oeste. Gale, como 9 entre 10 atrizes, se opunha em aparecer feia diante das telas. E os estúdios primavam em glamourizar e incentivar essa prática. Claro que sempre tínhamos uma abençoada como Bette Davis, que não se importava em parecer mais feia do que era, ou aparentar estar mais velha do que realmente estava. Mas ela era exceção à regra.

Mas não era o caso de Gale. De qualquer maneira ela iniciou os testes para um dos filmes mais esperados da temporada, “O Mágico de Oz”, inspirado no livro de L. Frank Baum, publicado em 1900. Vieram os primeiros testes de figurino e…

Opa. Ela estava bela demais para uma bruxa Má! Na verdade, o que os produtores queriam não era uma glamourização da imagem de uma bruxa. Eles buscaram enfeiar Gale um pouquinho mais e…

Conseguiram um efeito surpreendente. Mas ela ainda parecia ser bonita. Decidiram enfeiar mais ainda e Gale não agüentou. Pediu para ser afastada das filmagens. Era um pouco demais pra ela, que preferia ainda ser reconhecida por sua beleza, e temia que ficasse estigmatizada por toda a sua vida.

Margaret Hamilton contava, em muitas de suas palestras que fazia, como veio a ser convidada a fazer parte do elenco. Alguém chegou pra ela e disse:
– Temos um convite para você participar do filme O Mágico de Oz!
– Nossa, que maravilha! – disse  Margarete – Em que papel???
No que o interlocutor, sem dó nem piedade, respondeu:
– No de Bruxa, claro! Qual papel você esperava??

Margaret Hamilton foi chamada para os testes e acabou assumindo (para toda a eternidade) o papel da bruxa mais do que malvada,  que padece quando a doce Dorothy consegue exterminá-la. E nem se importou se a pintassem de verde e ela tivesse posteriormente uma grande queimadura enquanto filmassem uma das cenas.

Margaret Hamilton como a bruxa má

Quanto a Gale, continuaria a carreira com relativo sucesso, trabalhando inclusive em filmes para a tv. Morreu aos 86 anos. Hoje é mais lembrada pelo papel da gatinha malvada do filme O Pássaro Azul, com Shirley Temple, feito para duelar com O Mágico de Oz, no mesmo ano.

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