Metropolis (1927)

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Metrópolis é considerado um dos maiores clássicos de todos os tempos. Dirigido por Fritz Lang, é um dos grandes expoentes do expressionismo alemão e trouxe inovações técnicas, se transformando em um dos primeiros de ficção científica. Com um tom profético e atual, traz uma correlação com o tema religioso e uma simbologia que vale a pena ser revisitada.

O mundo de Metrópolis é dividido em dois núcleos. Um é o jardim das delícias, onde vivem os poderosos e ricos, e fica na superfície. O outro é o dos trabalhadores, que vivem no subterrâneo, trabalhando incessantemente para que os ricos possam aproveitar a vida. Quando Maria, a líder espiritual dos trabalhadores sobe para o mundo dos abastados, Freder, filho do governador, se apaixona e decide ir atrás dela. Descendo para o submundo ele percebe a dissonância da vida entre os dois mundos.

Simbologias

É fato que o filme traz uma série de simbologias, dentre elas aquela que versa sobre a Torre de Babel. A história bíblica é narrada no livro Gênesis e conta como um grupo de pessoas tentavam construir uma estrutura que fosse tão alta que pudesse alcançar os céus. Vendo o que acontecia, Deus resolve interferir e faz com que cada um fale uma língua diferente, impossibilitando-os de se comunicarem. É através de Maria que entramos em contato com a história, pois, como líder religiosa, ela narra a mesma para seus seguidores. Tal como os homens do livro, Joh Ferdersen constrói sua torre, e a nomeia com o nome de Torre de Babel. A grande estrutura é feita para sinalizar o tamanho de seu poder.

As catacumbas: No mundo de Metropolis, as pessoas vão buscar alento nas catacumbas. As catacumbas eram os locais onde os primeiros cristãos se reuniam para orar após a religião ser proibida pelo Estado. A única coisa que parece dar um alento às pessoas é se reunir lá e manter a esperança no retorno do mediador. Em linguagem cristã é o Messias. E o arquiteto, na figura de Joh Ferdersen quer destruir essa esperança. Maria é a líder e o poder total dos opressores é desafiado justamente por essa fé deles.

A prostituta da Babilônia: a robô criada à imagem de Maria. Incomodado com a influência de Maria sobre o povo, Joh Ferdersen decide que é hora de agir e criar uma sósia da pregadora. A criação da sósia é uma alusão aos falsos profetas que ao invés de incitar o amor, incitam o ódio e a guerra. O trabalho da prostituta da Babilônia é levar pessoas para o inferno, convencendo-os a cometer assassinatos. Mas o trabalho com a falsa Maria não é perfeito. O robô criado é um deboche da verdadeira, e a Maria criada tem um olho defeituoso. Porém, consegue ainda corromper as classes altas e incitar a revolta entre os pobres. No fundo ela deseja destruir todos, começando uma anarquia e derramamento de sangue.

O dilúvio: No final do filme, a represa é liberada e sabemos que o dilúvio irá matar todos os filhos da cidade. Em uma certa parte o arquiteto pergunta: onde está meu filho? No que o outro personagem comenta: tantos farão essa pergunta.


Sacrifício humano: Os homens chegam às fábricas para serem sacrificados. Na máquina central aparece uma representação de máscara que lembram as astecas. Em uma de suas visões, Fredervê “Fredersen the Machine” se transformando em Moloch. Os trabalhadores são alimentados à besta como sacrifícios humanos.


A Maçonaria: Na foto abaixo, o arquiteto está segurando uma bússola, lembrando a todos sobre seu papel como o “grande arquiteto” da Metrópole. Observe direito pentagrama invertido sobre a cabeça da máquina-homem. Se o pentagrama vertical representa a cura, a perfeição matemática e os cinco elementos, o pentagrama invertido representa a corrupção dos princípios e magia negra.

Um pentagrama na porta de Rotwang. Discípulos de Pitágoras dizem que um pentagrama em sua porta, é como um sinal secreto de reconhecimento mútuo. O signo e seu significado pode permanecer em segredo, apesar de que a exposição pública, pois somente os iniciados nos mistérios da geometria de Pitágoras foram capazes de preenchê-lo corretamente e apreciar o seu profundo significado como um símbolo para a porta de entrada para esses mistérios.

O Making Of
Processo Schufftan era uma técnica em que espelhos eram utilizados para ampliar as imagens e inserir atores em cenários em miniatura. O processo bem popular na primeira metade do século XX posteriormente foi substituída pelas “pinturas/projeções de fundo” e a moderna tela azul. Foi usado stop-motion nas cenas que mostram a cidade, com carros, aviões e trens. Esse modelo demorou meses. Para arrematar eles iluminaram o fundo para dar uma sensação de profundidade. Em algumas cenas eram colocadas até 30 exposições diferentes. Além disso, em algumas cenas foram utilizadas múltiplas exposições, e em algumas sequências é possível ver até 30 exposições diferentes.


Água: Foram necessárias 3 semanas para terminar a cena da inundação. Como Lang queria realismo, os atores sofreram e adoeceram por causa da temperatura da água. Os extras sofreram bastante pelo realismo de Lang. Rasparam a cabeça e outros eram amarrados e sentiam muita dor. Não foi difícil encontrar crianças porque o país estava em recessão e havia muitas crianças passando necessidade.

A cena em que os trabalhadores alimentam Moloch foi realizada no inverno e apesar dos aquecedores e luzes o povo passou frio. Foi realmente doloroso para eles que tinham que atuar quase nus. E ela levou tanto tempo para ser finalizada que começou-se a criar uma tensão nos sets e um medo de que extras se revoltassem. Estava tão frio que Lang ordenou que trouxesse conhaque para eles.

Não foram utilizadas dublês e Brigitte Helm tinha que fazer todas as cenas de suas duas personagens. Era muito sofrido para ela sobretudo as longas sequências de maquiagem e cenas onde estaria vestida de robô.

Outras Curiosidades do Clássico

Foram usados mais de 27 mil extras.

Hitler era fã do filme. Por conta disso, convidou Lang a se tornar um dos diretores do período nazistas. Assustado, Lang fugiu para Paris e não quis se envolver. O diretor era judeu.

Foi rodado em 310 dias.

Após as primeiras exibições o filme foi tirado de circulação. E quando voltou várias cenas tinham sido cortadas, ficando com 115 minutos. Até por volta de 1940 achava-se que o filme tinha por volta de 90 minutos. Em 2010 foi encontrado na Argentina o filme praticamente completo.

Reajustado para valores atuais, Metropolis custou cerca de 200 milhões de dólares, valor que quase leva os estúdios a falência.

Lang se inspirou em Nova York para a construção da grande metrópole.

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