O Casamento de Muriel (1994)

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Revi hoje O casamento de Muriel Muriel’s Wedding (1994), filme dirigido por P. J. Hogan e que muitos consideram como um exemplo de superação. Faz algum tempo que o tinha visto e pra ser sincera nem lembrava do roteiro, exceto que a Muriel era fã do Abba. Esse ano, com o lançamento de Mamma Mia! e o retorno do grupo, Muriel também retorna, desta vez em dvd lançado pela Classicline.

Mas percebo alguns problemas quando percebo muitos se identificando com a personagem repleta de toda espécie de infortúnios, traumas, relações abusivas e cujo único sonho é casar-se numa cerimônia.

Ela é exatamente como a Delillah, personagem interpretada por Louise Beavers em A Imitação da Vida (1934) cujo único sonho era ter um enterro que parasse a cidade. Muriel não quer um enterro, quer apenas a cerimônia de casamento, não importa como ou com quem. O depois é insignificante. Parece até certo ponto apática sobre romances. Bem, ela consegue o que quer, e está feliz.

O seu nível de fuga extraordinário (que herdou da mãe e do pai) faz com que viva em uma bolha deprimente. Que cerque-se de coisas que a fazem mal, de relações de rejeição que se perpetuam, de cobranças que a matam diariamente. O final deixa uma faísca de esperança pelo menos. A música do Abba só reforça o tom melancólico que permeia todo o filme. Toni Collette está estupenda como essa personagem problemática. Todo o elenco coadjuvante também, e todos vestem e conduzem para nós sentimentos diversos pela variedade psicológica de seus personagens.

Todos eles com problemas visíveis: Rachel Griffiths (que interpreta a melhor amiga que ao mesmo tempo que a liberta também a prende), Bill Hunter (o pai com personalidade narcisista e que não enxerga que os filhos são fracassados por sua culpa) e Jeanie Drynan (a mãe que a princípio parece alguém distante, mas que percebemos que a apatia é reflexo de toda uma vida onde sendo desprezada por todos. Inclusive pela queridinha Muriel).

As amigas representam o desejo de ser amada por um grupo, algo tão nocivo mas tão presente na vida de todos nós. Todos queremos ser queridos, mesmo que não admitamos. A maneira como se faz isso é que pode se tornar doentio. E anular-se não é uma boa escolha. E, Deus do céu, que pessoas ela escolhe!

Não me entendam mal. De forma alguma O Casamento de Muriel é um filme ruim, mas não o enxergo como uma comédia ou superação como muitos falam por aí. Seus diálogos irônicos são fortes como um cajado nas costas. Ele fala mais sobre dificuldades e as soluções são rasas. Ou mesmo inexistentes. Mas a vida também é assim. Nem sempre tem o desfecho que desejamos ou buscamos. Espero que quem se identifique com Muriel o faça pela persistência e não pelas atitudes ou falhas, senão temos um grande problema.

O Casamento de Muriel está sendo lançado pela Classicline e pode ser adquirido clicando-se na imagem abaixo:

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