William Wyler, O Perfeccionista que tinha o dom de trazer Oscars

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William Wyler atravessou gerações trazendo grandes filmes com temas fortes e ficou conhecido pela facilidade com que seus atores ganhavam prêmios. É inegável o valor inestimável do diretor que veio para os Estados Unidos na década de 20 e fez história.

Sempre digo que é uma tarefa árdua separar alguns bons filmes de alguém, principalmente com filmografias tão amplas quando a de Wyler, que chegou a receber 3 Oscars por sua obra. A saber: Mrs. Miniver (1942), The Best Years of Our Lives (1946) e Ben-Hur (1959). Ele também recebeu tantas outras indicações.

Aqui está ele acima com Bette Davis, atriz que tinha por ele uma grande admiração. Bette amava ter diretores que competissem diretamente com ela, que tivessem pulso forte, e segundo a mesma, o único que conseguia domar e convencê-la era Wyller. Mas os métodos do diretor talvez não agradassem a todos. A questão Davis e Wyller era um caso à parte e envolvia mais razões emocionais.

O diretor nasceu em 1 de julho de 1902 em Mulhouse, local que fica na fronteira entre a Suíça e a França, mas que na época era considerada parte da Alemanha. Ele nunca foi um bom estudante e foi expulso de várias escolas. Sua mãe achava que era um caso perdido, mas tentava incutir no jovem o amor pelas artes, levando-o para shows e ao cinema.

Deu certo, e ele começou a criar gosto pela coisa. Tanto que em 1921, quando partiu para a América, a primeira coisa que fez foi procurar o estúdio Universal. Conseguiu um emprego por lá como assistente, varrendo os estúdios e movendo os cenários de lugar. Um começo. Pelo menos estava lá dentro e podia entrar em contato com outras pessoas do ramo. Mas aí ele foi subindo de escala e fazendo uma amizade aqui e outra ali conseguia aprender. Logo estava trabalhando como terceiro diretor assistente e em 1925 conseguia sua primeira chance.

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Haya Harareet, Charlton Heston, William Wyler e Sam Jaffe nos sets de Ben-Hur

Daí por diante o que se seguiu foi uma lenda. Algumas de suas características incluíam a busca da perfeição, o que exigia vários e cansativos takes. Os atores odiavam, claro, mas muitos deles acabaram por ganhar Oscars por suas performances graças a essas exigências do diretor. Bette Davis chegou a ser indicada três vezes sob sua direção. Sua fama com relação a isso fazia com que fosse bastante procurado. Foram ao todo 14 os atores que ganharam Oscars ao serem dirigidos por Wyller. Isso quer dizer muito sobre o ótimo profissional que ele foi.

Um fator que contribuiu para qualidade de seus filmes foi a parceria com o diretor de fotografia Greg Toland. Juntos, conseguiam as mais belas tomadas. O foco profundo, utilizado em filmes como Os Melhores Anos de Nossa Vida seria marcante (e bastante utilizado posteriormente por Orson Welles). Vale a pena vocês também darem uma olhada na cena de abertura de A Carta.

William Wyler & Gregg Toland, uma dupla maravilhosa

Durante a Segunda Guerra, Wyler se voltaria a contar histórias sobre a Guerra, chegando a fazer o perigoso documentário Memphis Belle: A Story of a Flying Fortress (1944) que quase lhe custa a vida. Seu sucesso seguiu-se nas décadas seguintes e foi para ele que Barbra Streisand fez o convite para seu filme de estreia, Funny Girl (1968). O diretor, que na época estava com 66 anos falou o quanto foi difícil dirigi-la, mas mesmo assim rasgou-se em elogios.

William Wyler posa com os atores nos sets de Big Country, 1958

O diretor que recebeu doze indicações, aposentou-se após A Libertação de L.B. Jones (1970) e faleceu 11 anos depois, em 27 de julho de 1981. Morava em Beverly Hills e faleceu em decorrência de um enfarte, três dias depois de dar uma entrevista para um documentário preparado por sua filha Catherine.

 

Quer começar a conhecer um pouco mais sobre sua obra? Então confere essa listinha que preparei:

Jezebel (1938): uma jovem egocêntrica da aristocracia local provoca o rompimento do seu noivado ao usar um vestido vermelho, quando as moças deviam usar branco. Apesar de seu antigo noivo se casar com outra mulher, ela continua amando-o. Ela tem a grande chance de lhe provar que realmente deixou de ser uma jovem mimada quando uma peste se abate sobre a cidade. Dizem que o filme foi uma consolação para a Bette Davis, que teria perdido o papel principal de E o Vento Levou.
O Morro dos Ventos Uivantes ((Wuthering Heights, 1939): Leia o resumo completo do filme com Merle Oberon, Laurence Olivier e David Niven em nossa matéria. Clique aqui.
A Carta (The Letter, 1940): Leslie Crosbie (Bette Davis), a esposa do comerciante Robert Crosbie (Herbert Marshall), mata um homem e alega legítima defesa, mas omite que eles eram amantes. É quando a viúva procura o advogado da assassina, chantageando-a com uma carta. Esse foi indicado a 7 Oscars, não levou nenhum mas é sem sombra de dúvidas uma das maiores interpretações da carreira de Bette.
Pérfida (The Little Foxes, 1941): Melodrama sobre o impacto da industrialização no sul dos EUA, narrando as atividades predatórias de uma família, os Hubbard. Bette Davis faz uma perversa de envergadura, confirmando seu talento. A partir da adaptação feita por Lillian Hellmann de sua própria peça teatral, William Wyler desdobra seu talento criando seqüências memoráveis com habilidade extraordinária.
Rosa da Esperança (Mrs. Miniver, 1942): Garson é Kay Miniver, uma esposa britânica que vive confortavelmente ao lado do seu marido Clem (Walter Pidgeon). Com a chegada da guerra, ela fica sozinha para cuidar de sua família. Um filme propaganda de guerra, é claro, mas não temos como não nos envolver com a personagem que rendeu a atriz um Oscar.
Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, 1946): O filme conta a história de três soldados que regressam para sua cidade natal depois da segunda guerra mundial. Cada um se encontra, à sua maneira, com dificuldades para se adaptarem a vida normal depois da experiência na frente de combate. Com Dana Andrews, Virginia Mayo e Steve Cochran.
Tarde demais (The Heiress, 1949): A jovem Catherine é extremamente doce, porém sem grandes atrativos. Certo dia, a moça que é controlada pelo pai rico e tirano se apaixona por um rapaz que conhece em uma festa. Com Montgomery Clift e Olivia de Havilland
A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953): A princesa Ann está entediada e resolve se divertir anonimamente por Roma. Em seu caminho surge Joe Bradley, um repórter que a leva para vários locais e acaba se aproximando cada vez mais. Com Audrey Hepburn e Gregory Peck.
Ben-Hur (1959): Ben-Hur é um mercador judeu que, após um desentendimento, é condenado a viver como escravo por um amigo de juventude, Messala, que é o chefe das legiões romanas da cidade. Mas uma surpreendente oportunidade de vingança surge de onde ele menos espera. Com Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet e Stephen Boyd.
Infâmia (The Children’s Hour, 1961): As amigas Martha e Karen administram juntas um internato. Ao ser repreendida por uma mentira, uma estudante problemática tenta virar o jogo ao dizer para a avó que as duas têm um romance secreto. Quando o boato se espalha, a vida das educadoras vira de cabeça para baixo para sempre. Com Audrey Hepburn e Shirley MacLaine.
O suspense que se tornou um best-seller desde seu lançamento em 1963 traz a história de Freddie Clegg, um jovem frustrado que enriquece de uma hora para a outra após ganhar na loteria. Cheio de conflitos psicológicos, tem uma personalidade excêntrica, coleciona borboletas e não tem amigos. Apaixona-se platonicamente por Miranda, uma estudante de artes, e passa a persegui-la por todos os cantos até saber de todos os seus hábitos. Com Terence Stamp e Samantha Eggar.

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