Um Barco e Nove Destinos (1944)

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Admiro a obra do escritor John Steinbeck embora a conheça muito pouco para fazer uma análise mais aprofundada. Mas do pouco que li admiro sobretudo três, que acabaram se transformando em obras cinematográficas que por si só são boas adaptações. São elas sua obra prima As Vinhas da Ira, lançado em 1939 e levado às telas no ano seguinte; A Leste do Eden, de 1952 e que trouxe a estreia de James Dean em 1954 sob a direção de Elia Kazan ( o título brasileiro é Vidas Amargas).

Já falei sobre Vidas Amargas e você pode conferir a resenha clicando aqui.

O que gosto, sobretudo, na obra de Steinbeck, é sua capacidade de tocar na ferida da sociedade, sobre suas relações afetivas, a luta dos excluídos e aspectos psicológicos de personagens sempre tão bem trabalhados e uma certa dose de desânimo que soa como realismo. A vida nem sempre é cor de rosa. Assim também o é em Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat) pouco lembrada, mas que concorreu ao Oscar de Melhor história em 1944. É sobre sua adaptação para o filme dirigido por Alfred Hitchcock que irei falar agora.

Não entrarei em grandes méritos sobre o filme, nem irei me ater à direção do grande Hitchcock. Esta é, antes, uma visão sobre a história. Outras abordagens mais técnicas poderão ser encontradas em outros sites e até mesmo no imdb. Serei um pouco mais subjetiva.

A sinopse de Lifeboat: Um barco é destruído por um torpedo nazista. Há apenas uma mulher. Constance Porter (Tallulah Bankhead) está vestida ricamente, e parece mais preocupada em documentar o acontecimento. Pouco a pouco outras pessoas começam a chegar no barco. Vários homens, uma enfermeira e uma mulher que acabou de perder seu filho. O último a chegar é um nazista.

Inicialmente o grupo fica desconfiado em deixar no barco um daqueles que ajudou a dizimar o local onde estavam. Mas após uma votação, decidem permanecer com ele, que em tese pode ajudá-los a encontrar um porto. O grupo tentará, a partir de então, seguir um rumo lógico para encontrar terra firme, e sobreviver à fome, às discussões, à desconfiança.

O grande mote dessa história que se passa na segunda guerra mas poderia se passar em qualquer época de nossa humanidade, é a confiança, e o que ela pode fazer conosco em tempos de guerra. O barco, incrivelmente claustrofóbico, é o mundo que eles tem. O universo é o mar que lhes rodeia.

Ali temos uma sociedade formada por pessoas das diferentes espécies. Aprendemos que nem sempre o que se parece óbvio é o correto, que as pessoas podem agir de determinadas maneiras de acordo com a situação. Que o normalmente pode ser facilmente modificado se estamos a passar por um estado de calamidade. O que as leva a isso? Outra questão: é possível confiar em seu maior inimigo quando ele parece ser sua única salvação?

Um barco e Nove Destinos deixa-nos, antes de mais nada uma questão, uma grande provocação, uma chamada à reflexão. Um filme muito necessário em tempos atuais.

Um Barco e Nove Destinos está sendo lançado em dvd pela Classicline e pode ser adquirido clicando-se na imagem abaixo:

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